Avanços recentes em áreas da tecnologia estão ampliando as perspectivas de uso dos veículos remotamente pilotados, os drones, e têm despertado o interesse de muitos agricultores. Relativamente econômicas e fáceis de usar, essas aeronaves, equipadas com sensores e recursos de imagem cada vez mais eficientes e precisos, agem diretamente no controle de pragas através de uma precisa coleta de dados, facilitando a tomada de decisões e minimizando os possíveis prejuízos de forma bastante eficaz. Também podem ser utilizados para a verificação de espaços mal aproveitados, além de realizar a dispersão de suplementos agrícolas, para citar somente alguns exemplos de recursos.

As aeronaves também estão sendo usadas para pulverizar agroquímicos na agricultura de larga escala. O uso de agroquímicos é essencial na agricultura de larga escala. Esses defensivos químicos, em geral, são pulverizados manualmente sobre as lavouras ou com o auxílio de tratores. Mesmo quando usam algum tipo de proteção, como máscaras, os trabalhadores rurais ficam expostos ao produto, que pode provocar sérios problemas de saúde como câncer e efeitos adversos ao sistema nervoso central e periférico.

Protótipos de drones mostraram-se eficazes ao liberar quantidades controladas de agroquímicos em áreas predeterminadas, considerando aspectos meteorológicos e rotas calculadas pelo seu sistema de GPS. Desta forma, realizam uma pulverização mais segura e eficiente, capaz de melhorar a cobertura da aplicação e a qualidade do processo de cultivo, além de proteger a saúde do trabalhador do campo.

Os drones podem ser utilizados em todas as etapas de produção rural. No primeiro momento, pode sobrevoar áreas de interesse, de modo que o produtor rural decida qual a melhor propriedade pode arrendar ou qual a melhor área da sua propriedade para iniciar uma nova produção.

Na agricultura, por exemplo, na fase de pré-plantio, os drones podem ser utilizados para realizar a topografia do terreno, a fim de mensurar a área, dividir os talhões, planejar o escoamento da água da chuva, dentre outros. Após a plantação, os drones fornecem indicadores qualitativos e quantitativos do plantio, podendo mensurar a eficiência do plantio realizado.

O mapeamento aéreo com drones é mais uma tecnologia que otimiza a ação do produtor ou do agrônomo em campo, fornece suporte para o gerenciamento estratégico do plantio, gerando indicadores que, se bem interpretados, aumentam a produtividade e diminuem os custos. Ou seja, identifica os problemas, suas dimensões e sua localização no campo. De posse deste mapa da lavoura, o agrônomo ou produtor vai até o campo, visitar as áreas que estão com problemas, para verificar quais sãos as causas e decidir as ações necessárias.

Quanto à sua estrutura e operação, o drone é dividido em duas partes: a plataforma e o sensor embarcado. A função da plataforma é transportar o sensor, garantindo um voo estabilizado e seguro. Por sua vez, os sensores (câmeras) são responsáveis por capturar as informações do terreno. Pode-se embarcar vários tipos de câmeras que capturam diferentes dados. Após uma operação realizada com as câmeras, é possível identificar quais áreas estão saudáveis ou “doentes” da plantação.

É interessante acompanhar toda a produção e armazenar as informações em um banco de dados. Com um SIG (Sistema de Informação Geográfica), é possível convergir os dados e realizar análises sazonais em diferentes épocas do ano. Com esse histórico de produção da propriedade e das ações realizadas, é possível otimizar as próximas safras, aumentando a eficiência e previsibilidade.

Fonte: Revista Globo Rural Online.

Um entrave: a burocracia

Apesar do crescimento expressivo na fabricação e venda de aeronaves não tripuladas no país, o setor ainda carece de uma regulamentação específica. Por enquanto, a comercialização é permitida, mas a falta de regras cria um impasse.

Em setembro de 2015, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) propôs diretrizes para operação de aeronaves pilotadas de maneira remota no Brasil. Caso o texto seja aprovado, o piloto deverá ter mais de 18 anos e um seguro com cobertura de danos a terceiros. Também será proibido levantar voo sem o consentimento de quem está embaixo dele num raio de até 30 metros de distância. Se o aparelho pesar mais de 25 quilos, o piloto vai precisar de registro e certificação da aeronave e habilitação. Para veículos menores será necessário apenas o cadastro do aparelho.

Atualmente, são necessárias duas autorizações de voo para operar no Brasil. O primeiro registro deve ser feito na Anac, que poderá, com o novo governo, ser reformulado brevemente. A questão é que essa autorização - Certificado de Autorização de Voo Experimental - está levando em torno de um ano para ser liberada e exige a entrega de uma vasta gama de documentos, tais como avaliações sobre a segurança do modelo e a análise de aptidão do piloto que irá operar o drone.

Outro órgão que também deve ser acionado é o Departamento de Controle de Espaço Aéreo - Decea -, responsável pelos pedidos de decolagem e das questões referentes à segurança de navegação aérea desses equipamentos. Em suma, a burocracia está inibindo o uso de drones no campo.