Os minerais configuram 4% do peso corporal das aves, são essenciais para o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução, a formação óssea, o nempenamento, a produção e o apetite, fazem parte de componentes estruturais de órgãos e tecidos do corpo. São fundamentais para manter o funcionamento do metabolismo do animal, uma vez que participam de uma série de processos bioquímicos, agindo como catalisadores nos sistemas hormonais e enzimáticos. Dessa forma, os minerais como cálcio (Ca), selênio (Se), fósforo (P), sódio (Na), cloro (Cl), potássio (K), magnésio (Mg), enxofre (S), zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn), iodo (I) e ferro (Fe) devem ser suplementados de forma correta.

Atualmente, a suplementação mineral em frangos de corte é misturada nos concentrados minerais, conhecidos comercialmente como “premix”, com a ração energética/proteica, geralmente à base de soja ou milho, dependendo dos preços encontrados no mercado. A proporção média é de 50 a 100 kg de premix por tonelada de ração. A suplementação com minerais é feita desde a fase inicial do frango, iniciando por volta do sétimo dia de vida até o ponto de abate, com 50 a 60 dias.

No Brasil, boa parte dos “premix” são produzidos com minerais na forma de sais (moléculas inorgânicas), devido ao menor custo de produção. Porém, a absorção na forma salina pelo organismo dos frangos é inconstante e ineficiente, em consequência das condições intestinais (pH, agentes complexantes e viscosidade intestinal) que reagem com os sais, desfavorecendo o aproveitamento total. A ineficiência na absorção pode fazer com que até 50% dos minerais ofertados passe pelo sistema digestivo e seja eliminado nas fezes do animal sem ser absorvido. Para compensar as perdas, as dietas tradicionais são formuladas com quantidades exageradas de minerais, desnecessárias aos animais, gerando custos maiores aos criadores.

Com o objetivo de reduzir as perdas de minerais na dieta sem comprometer a nutrição dos animais e a qualidade nutricional do produto final, estudos atestam a eficiência de minerais oferecidos na forma orgânica por meio do processo de quelatização, que consiste em uma reação química de ligação do mineral com um composto orgânico à base de aminoácidos e/ou peptídios (Figura 1). O produto quelatizado é semelhante aos minerais convencionais e também na forma de “premix” pode ser misturado na ração.


Figura 1. Quelato envolvendo o mineral com carga positiva.

Fonte: Casa do Produtor Rural.

 

Na forma quelatizada, o material orgânico atua recobrindo o mineral, formando uma cápsula, aumentando a absorção no intestino do frango e atuando como carregadores. O encapsulamento facilita o transporte pelas células e garante um armazenamento mais efetivo nos tecidos de reserva mineral, como ossos e cartilagens. Inicialmente, a forma orgânica tem um custo mais elevado pela tecnologia utilizada ser recente e onerosa. Ainda assim, a forma orgânica representa redução nos gastos com suplementação, pois há redução das perdas de minerais nas fezes, podendo diminuir em até 65% a quantidade de premix ofertado.

Na avicultura, diversos minerais são disponibilizados comercialmente na forma orgânica, destacando-se o cobre (Cu), zinco (Zn) e principalmente selênio (Se) como os mais importantes na cadeia produtiva, em virtude das funções essenciais e aplicações práticas. O selênio, juntamente à vitamina E, tem relação com a imunidade do animal e atua como agente antioxidante. Deficiências deste mineral aumentam os riscos de infecções virais e bacterianas, além de prejudicar a formação e o desenvolvimento dos espermatozoides nos machos. Pesquisa da Universidade de Pelotas (RS), comparando suplementações com selênio inorgânico (Selenito de sódio) e orgânico, concluiu que a forma orgânica aumentou o peso dos frangos em 1,98%, melhorou a conversão alimentar em 0,37%, elevou em 4,24% a carcaça e em 4,49% o volume de carne da coxa e sobrecoxa.

O zinco atua incrementando o desempenho produtivo das aves na medida em que participa da estrutura de cerca de 160 enzimas relacionadas com o metabolismo dos ácidos nucleicos, síntese de proteínas e de carboidratos, aumentado as taxas de conversão alimentar. O elemento também maximiza as respostas do animal aos estresses produtivos, como calor e frio, e na formação esquelética das aves, por isso sua deficiência pode acarretar em problemas como, anormalidades de pernas e dedos (Figura 2).

Figura 2. Frango com má formação esquelética decorrente de deficiência de zinco (Zn).

Fonte: Cornell University.

O cobre também é componente de enzimas, atua na respiração celular e na resposta imunológica do organismo, os animais deficientes desse nutriente produzem menos anticorpos, são mais  susceptíveis a viroses e intoxicações. Outra função é a produção de colágeno e elastina, que conferem rigidez estrutural as penas das aves. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Suínos e Aves, o cobre tem ainda função antifúngica (prevenção/eliminação de fungos) nas rações.

Em razão do avanço contínuo da tecnologia agrícola, a busca por novos métodos de fornecimento de minerais aos frangos vem crescendo mundialmente, sendo as formas quelatizadas uma ótima opção, porém é importante ter o entendimento de toda a cadeia nutricional, época de suplementação e as dosagens específicas.

 

 

Fontes consultadas

 

RIBEIRO, A.M.L; et al. Suplementação de vitaminas e minerais orgânicos e sua ação sobre a imunocompetência de frangos de corte submetidos a estresse por calor. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 37, n. 4, p.636-644, 08 out. 2007. Anual. Disponível em: . Acesso em 07de novembro de 2016.

 

LAGANÁ, C. et al. Suplementação de vitaminas e minerais orgânicos nos parametros bioquímicos e hematológicos de frangos de corte em estresse por calor. Boletim de Indústria Animal, Nova Odessa, v. 62, n. 2, p.157-165, 10 jan. 2005. Disponível em: . Acesso em 07 de novembro de 2016.

 

MEDEIROS, I. M.de. Suplementação de zinco orgânico na ração de frangos de frangos de corte alojados em cama nova ou reutilizada. 2012. 47 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Produção Animal, Zootecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Macaíba - Rn, 2012. Cap. 1. Disponível em: . Acesso em: 07 de novembro de 2016.

 

VIEIRA, R. A. Organominerais na alimentação de frangos de corte. 2015. 66 f. Tese (Doutorado) - Curso de Zootecnia, Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa - Mg, 2015. Cap. 1. Disponível em: . Acesso em: 07 de novembro de 2016.

 

 

Elaborado por

Casa do Produtor Rural

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP

 

Luiz Henrique Goulart Bernardes

Graduando em Engenharia Agronômica

Estagiário - Casa do Produtor Rural - ESALQ/USP

 

Foto de capa: Free Images

 

Acompanhamento técnico

Fabiana Marchi de Abreu

Engenheira Agrônoma

CREA 5061273747

Casa do Produtor Rural

 

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Marcela Matavelli

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